Arquitetura & Construção - Março 2013


  • Texto: Raphaela de Campos Mello
  • Produção: Deborah Apsan / Julia Blumenschein / Fabio Flaks
  • Fotos: Evelyn Muller

Paredes de pau a pique, madeira envelhecida ou proveniente de demolição, cimento queimado, caiação... Impossível não se encantar com o jeito simples e original de construir típico do sul da Bahia. Tal fascínio inebriou o casal francês que comprou esta casa próxima ao Quadrado, charmoso reduto histórico onde concentram as edificações mais antigas do vilarejo. Antes uma cabana de pescador, a construção de duas décadas Haia passado recentemente por uma reforma a fim de se transformar numa pequena pousada com quatro suítes – movimento que aconteceu com outras propriedades vizinhas e que, se feito sem cuidado, periga descaracterizar as antigas moradias originais de Trancoso. Nas mãos dos franceses, apaixonados pelo design da terra, a casinha teve a sorte de retomar sua vocação e converter-se em moradia outra vez, depois de uma reforma de quatro meses. “Basicamente, o desenho se manteve. Alteramos a disposição dos cômodos e inserimos novos materiais, tomando o cuidado de reaproveitar boa parte do que já existia”, diz a arquitetura Daniela Oliveira. Sócia do escritório Vida de Vila, estabelecido na cidade, ela tem experiência em gerenciar projetos calcados em técnicas e matérias-primas tradicionais, sem desperdício. “Algumas portas, janelas e vigas permaneceram nos devidos lugares; as madeiras em pior estado, como a do piso, deram origem a móveis”, conta a arquiteta, também instruída pelos clientes a evitar químicas. Daí a escolha pela pintura com cal nas paredes externas e pela tinta à base de água no interior.